A introdução de alimentos, a que chamamos diversificação alimentar, constitui uma janela de oportunidades, em que o bebé está mais recetivo para aceitar uma variedade de alimentos com sabores e texturas diferentes. Os gostos e preferências do bebé desenvolvem-se de forma acentuada durante a diversificação alimentar, na transição do leite materno para os primeiros alimentos, para diferentes texturas, para novos sabores, até chegar à partilha da ementa da família. Fazer a diversificação alimentar no momento certo, através da introdução de alimentos de consistência, energia e nutrientes adequados, será o garante de que o bebé levará consigo um leque vasto de paladares e texturas para a vida.

Mas é aqui que surge uma enorme questão: qual é o momento certo?

É importante referir que, como acontece com qualquer outro tipo de aprendizagem, a cronologia da introdução de alimentos não pode ser rígida, devendo ser respeitadas as particularidades do bebé. Vejo muitos pais preocupados porque querem marcar no calendário o dia em que o bebé vai começar a comer. Mas saiba que só ele sabe qual a altura certa para esse agendamento.

Para que consiga processar alimentos sólidos, é necessário que tenha atingido uma maturação fisiológica do seu sistema digestivo, de modo a permitir a adequada digestão, absorção e metabolização dos alimentos para além do leite materno. A Organização Mundial de Saúde recomenda que os primeiros 6 meses de vida sejam de amamentação exclusiva. Em todo o caso, é consensualmente reconhecido que o bebé pode estar preparado para o início da diversificação alimentar a partir dos 4 meses de vida, fase em que ele ganha uma maior estabilidade maxilar e no pescoço. A verdade é que não há uma regra rígida e terá que ter em conta o desenvolvimento do seu bebé, que é único!

Contudo, retenha os seguintes limites. Eles representam a idade mínima e máxima para a diversificação alimentar:

Primeiro: não introduzir na dieta do bebé qualquer alimento ou bebida antes de ele completar as 17 semanas (ou seja, 4 meses de idade). Antes desta idade o seu sistema digestivo ainda não está maduro o suficiente para lidar com este tipo de desafios.

Segundo: não atrasar a diversificação alimentar para além das 26 semanas (ou seja, os 6 meses e meio), momento a partir do qual é certo que o leite materno não será capaz de suprir as necessidades da criança.

Posto isto, e tendo em conta que cada caso é um caso, como saber que o dia chegou?

Aqui os pais devem estar atentos, e os profissionais de saúde capazes de os informar, para reconhecerem quando é que o bebé está pronto para a aventura dos primeiros alimentos. Neste contexto ele vai dar alguns sinais que estará pronto entre as 17 e as 26 semanas, ou seja, entre os 4 e os 6 meses e meio.

 

Preste atenção a estes sinais e quando surgirem em simulânteo pode começar:

  • O bebé consegue manter-se sentado com a cabeça numa posição firme.
  • Consegue coordenar olhos, mãos e boca na direcção de um objeto ou alimento, levantando-o e colocando-o na boca.
  • É capaz de engolir alimentos (experimente com puré de fruta, por exemplo, esmagando bem um pedaço de banana madura com um garfo).

A maioria dos bebés apresenta estes sinais por volta dos 5 meses de idade. Nesta fase haverá um aumento de interesse pela comida e tentativas de contactar com os alimentos, refletindo a vontade de os comer. Mas esse interesse não significa, por si só, que o bebé está pronto.

Se o bebé apresenta os sinais de que está pronto, então isso poderá querer dizer que quer dar o salto para voos mais altos! Como podemos ver, os pais devem estar atentos a esta interação com a comida, que vai refletir se a criança está ou não pronta para a experiência dos primeiros alimentos. Só os pais saberão, com atenção plena, qual o melhor momento para o fazer.