Injoy – Nutrição Infantil

No passado dia 16 de maio foram apresentadas novas recomendações nacionais para o consumo de pescado.

O pescado inclui todas as espécies que se pescam para consumo humano: o peixe, os moluscos (como o polvo) e os crustáceos (como a lagosta). É bem sabido que o consumo de pescado traz benefícios para a saúde: por apresentar elevado teor de proteínas de alto valor biológico, ácidos gordos ómega-3 (EPA e DHA) e por ser uma excelente fonte de alguns micronutrientes como o iodo, selénio, vitamina D, B1 e B12.  O seu consumo associa-se, por isso, à prevenção da doença cardiovascular e à melhoria da performance cognitiva na infância.

Contudo, algumas espécies de peixe contêm um teor elevado de contaminantes. Um destes contaminantes é o metilmercúrio, que apresenta riscos para grávidas, mulheres a amamentar e crianças pequenas (até aos 10 anos), associados ao desenvolvimento cognitivo.

Dados recentes do Inquérito Alimentar Nacional e de Atividade Física indicaram que algumas espécies, como atum fresco (não o de conserva), cação, espadarte, maruca, pata roxa, peixes-espada e tintureira, contêm elevado teor de metilmercúrio, devendo por isso ser evitadas por grávidas, mulheres a amamentar e crianças pequenas. São os peixes predadores, principalmente os do topo da cadeia alimentar e com maior longevidade, que têm maior probabilidade de apresentar níveis mais elevados deste contaminante.

Para as grávidas, mulheres a amamentar e crianças pequenas recomenda-se então o consumo de pescado entre 3 a 4 vezes por semana (considerando uma porção média de 90-100g para adulto e de 40-50g para criança de peixe edível), preferindo espécies pequenas e não predadoras, com teores baixos e médios de metilmercúrio: 

Abrótea, atum em conserva, bacalhau, cantarilho, carapau, cavala, chicharro, choco, corvina, dourada, faneca, garoupa, linguado, lula, perca, pescada, polvo, pota, pregado, raia, “redfish“, robalo, rodovalho, salmão, salmonete, sarda, sardinha, sargo, solha, tamboril e truta.

Sardinha e cavala são opções a privilegiar, uma vez que têm menos metilmercúrio e maior teor de ácidos gordos ómega-3, que contribuem para um melhor desenvolvimento cognitivo nas crianças e para a prevenção de doença cardiovascular nos adultos.

 

Estas recomendações resultam de uma avaliação de risco-benefício associado ao consumo de pescado pela população portuguesa, realizada por Catarina Carvalho e colegas. Para tal foram usados dados de frequência de consumo de pescado da população portuguesa e dados relativos ao teor de metilmercúrio nas diferentes espécies de pescado identificado em amostras colhidas no âmbito do controlo oficial e de estudos científicos. Foram usados dados referentes a peixe selvagem. O peixe de aquacultura terá, à partida, valores inferiores de metilmercúrio, por haver controlo do mesmo nas rações. O estudo pode ser consultado aqui.

Estas recomendações foram desenvolvidas por um grupo de trabalho promovido pela Direção Geral da Alimentação e Veterinária (DGAV) e que integrou a Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE), a Faculdade de Ciências da Nutrição e Alimentação da Universidade do Porto (FCNAUP), o Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA), o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) e o Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto (ISPUP). 

Por favor partilhem estas recomendações com quem possa ter interesse nas mesmas. Para facilitar a partilha com as instituições de ensino preparei uma declaração, de download gratuito.

Qualquer questão disponham.

 

 

 

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